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GPT-6 Astra e mais 4 notícias de tecnologia da semana

O GPT-6 Astra chegou dizendo ser o melhor modelo do mundo. Reuni essa e mais quatro notícias de tecnologia da semana e o que elas mudam na sua empresa.

Letras “AI” em 3D na cor azul sobre uma malha de pontos e fios emaranhados, ilustrando a semana do lançamento do GPT-6 Astra
Imagem de ilustração (Unsplash).

Em 30 segundos

A OpenAI lançou o GPT-6 Astra e declarou, com essas palavras, que a era da AGI começou. A Tesla colocou robotáxis sem volante nas ruas de Austin e ganhou uma investigação federal poucas horas depois. O Google publicou uma correção de emergência para uma falha do Chrome que já estava sendo explorada em ataques. O LinkedIn apertou o cerco contra perfis e posts automáticos, e a Apple marcou o evento de setembro para o dia 9.

Eu abri o feed hoje de manhã achando que ia ler uma notícia e fechar o navegador. Terminei com cinco abas, um bloco de notas cheio e a impressão de que a semana mexeu com coisas bem diferentes entre si: modelo de IA, carro sem volante, navegador furado e rede social cheia de texto de robô.

Separei cinco, na ordem que me pareceu mais importante para quem toca uma empresa. No fim eu tento juntar as pontas, porque à primeira vista elas não conversam.

GPT-6 Astra: a OpenAI diz que a era da AGI começou

A OpenAI anunciou o GPT-6 Astra na quinta-feira, dia 3, e a liberação foi seguindo nos dias seguintes. Confesso que li o final da coletiva duas vezes: segundo o Axios, Greg Brockman, presidente da empresa, encerrou o briefing com quatro palavras — “Welcome to the AGI era”, algo como “bem-vindos à era da AGI”.

AGI é a sigla para inteligência artificial geral: a ideia de um sistema que dá conta de qualquer tarefa intelectual que uma pessoa daria. É um termo que o setor evitava como quem evita fazer promessa em voz alta. Ver a própria OpenAI cravando isso numa coletiva me pareceu mais estranho do que o modelo em si.

Nos números, o Astra aparece com 98% no FrontierMath Tier 4 e 99,9% no ARC-AGI-3 — dois testes usados para medir raciocínio matemático e capacidade de resolver problemas que o modelo nunca viu. A empresa também diz que ele é o melhor da categoria em uso de computador, engenharia de software e cibersegurança.

O que muda no bolso: a API custa US$ 10 por milhão de tokens de entrada e US$ 50 por milhão de saída — token é o pedacinho de texto que o modelo lê e escreve, algo entre uma sílaba e uma palavra. Assinantes de ChatGPT Plus, Pro, Business e Enterprise recebem o modelo dentro do plano, e ele também chegou à API e à AWS, segundo o 9to5Mac.

Uma ressalva que eu acho honesto registrar: nem todo mundo comprou a declaração. O The Next Web apontou que a régua de AGI publicada pela própria OpenAI não é a mesma que o anúncio usou. Fiquei com a pulga atrás da orelha — mas, para decidir alguma coisa amanhã, o preço importa mais do que o adjetivo.

O robotáxi sem volante da Tesla e a investigação no dia seguinte

Carro elétrico branco da Tesla parado à beira de uma estrada de montanha em um dia nublado

No dia 4, a Tesla colocou os primeiros Cybercabs para rodar em Austin, no Texas. São carros de dois lugares, os dois para passageiros: sem volante, sem pedal e sem espelhos. Poucas horas depois a NHTSA, a agência federal de trânsito dos Estados Unidos, abriu uma investigação — a apuração está no TechCrunch e o comunicado, no site da própria agência.

O que está em jogo não é uma batida. É burocrático e, justamente por isso, me pareceu mais interessante: nos Estados Unidos a montadora se autocertifica, ou seja, declara por conta própria que o veículo cumpre as normas federais de segurança. A Tesla declarou que algumas dessas normas simplesmente não se aplicam a um carro sem controles manuais. A agência quer ver a conta que sustenta essa declaração.

Tem um precedente que eu não conhecia. A Zoox, da Amazon, fez a mesma coisa em 2022 com o robotáxi dela, também sem volante. A discussão se arrastou por anos e só se resolveu em julho deste ano, quando a empresa obteve a autorização formal. Se a régua for a mesma, isso aqui não se resolve em um trimestre.

Uma falha do Chrome que já estava sendo explorada

Tela escura preenchida por linhas de código em verde, com caracteres embaralhados

Essa é a notícia mais sem graça da lista e, provavelmente, a única que pede uma ação sua ainda hoje. O Google liberou uma atualização de emergência do Chrome para corrigir a falha CVE-2026-85046, que já estava sendo usada em ataques reais quando a correção saiu.

É uma falha de type confusion no V8, o motor que executa JavaScript dentro do navegador. Traduzindo: uma página maliciosa consegue confundir o navegador sobre que tipo de dado ele está manipulando e, a partir daí, rodar código. O The Hacker News classifica como alta severidade, nota 8,8.

A versão corrigida é a 152.0.7977.82 ou superior, para Windows, macOS e Linux. Segundo o Help Net Security, essa é a sexta falha de dia zero do Chrome explorada em ataques só em 2026 — dia zero é aquela que os criminosos encontram antes de existir correção disponível.

Perguntei por aqui se alguém tinha fechado o navegador essa semana e recebi o silêncio que você está imaginando. Vale passar o recado para a sua equipe: a atualização do Chrome só entra em vigor depois que a pessoa fecha e abre o navegador.

O LinkedIn apertou o cerco contra o conteúdo automático

No relatório que envia à União Europeia por causa do DSA, a lei europeia de serviços digitais, o LinkedIn registrou alta de 46% nos casos detectados de atividade inautêntica no primeiro semestre de 2026 na comparação com os seis meses anteriores. Entram nessa conta perfil falso, engajamento combinado e publicação gerada por IA sem substância nenhuma.

A plataforma vem se mexendo em outras frentes: criou um botão para o usuário denunciar post que “parece conteúdo automático” e aposentou o recurso que reescrevia o texto da pessoa, trocando por um revisor que preserva a voz de quem escreveu. O apanhado está no Social Media Today.

Foi a notícia que mais me fez pensar. Se a régua de detecção subiu, aquele post genérico que muita empresa publica toda terça — três frases de efeito e nenhuma informação — passa a disputar espaço com um filtro, não só com o algoritmo. Em qual lado dessa régua você prefere estar?

A Apple marcou o evento do iPhone para o dia 9

Essa é a mais leve. A Apple confirmou o evento de setembro para o dia 9, às 10h no horário do Pacífico (14h em Brasília), no Steve Jobs Theater. O convite traz a frase “Surprise and shine”, e a data aparece na página de novidades para desenvolvedores da própria empresa e na cobertura do MacRumors.

O que vai ser anunciado, aí já é especulação — e tem bastante. A imprensa especializada aposta em iPhone 18 Pro, num iPhone dobrável e em relógios novos, mas nada disso saiu da Apple. Prefiro esperar quarta-feira a repetir palpite com cara de fato.

Por que isso importa para quem tem uma empresa

Equipe reunida em uma sala clara, com uma pessoa colando post-its coloridos na parede e notebooks abertos sobre a mesa

Juntando as cinco: duas falam de capacidade nova — o modelo da OpenAI e o carro sem motorista — e três falam de confiança: quem certifica, quem corrige e quem é gente de verdade do outro lado. Para uma empresa pequena ou média aqui no Brasil, a segunda pilha costuma pesar mais no dia a dia do que a primeira.

Traduzindo para tarefa: mande atualizar o Chrome de todo mundo hoje; combine com a equipe o que a IA pode e o que não pode escrever em nome da empresa; e desconfie de fornecedor que se autocertifica sem mostrar a conta. Nenhuma das três depende de orçamento novo, e as três reduzem risco real.

A parte do modelo novo é a que mexe com projeto. Preço de API subindo ou caindo muda o desenho de um assistente interno, de uma triagem de documentos, de um atendimento automatizado. Se esse é o seu caso, já escrevi por aqui sobre por onde começar com IA sem queimar dinheiro e sobre quando um sistema sob medida se paga. Para ver o que a gente já colocou de pé nesse caminho, os produtos da Nav Software estão na home.

Fontes

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